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Birigüi, São Paulo, Brazil
Tenho 30 anos, sou graduado em Letras pela Faculdade de Ciências e Tecnologia de Birigui (FATEB),graduado em História pela Universidade Toledo de Araçatuba e pós-graduado em Assessoria Bíblica pela Escola Superior de Teologia de São Leopoldo, Rio Grande do Sul (EST)em parceria com o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI). Atualmente professor da educação básica de escolas estaduais de SP e cursando o pós-graduação em História Cultural pelo Centro Universitário Claretiano.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

HOJE TEM MARMELADA????? ESPERAMOS QUE NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOO!!!! E QUE DEUS NOS AJUDE!

ENTRE SANTOS E PALHAÇOS

Quem assiste aos programas de propaganda eleitoral gratuita já pôde ver os inúmeros candidatos e candidatas com os perfis mais exóticos que se pode imaginar. Dentre tantos, destaca-se a forte presença daqueles que estão ligados à religião e outros que se utilizam do que se chama de bom humor.
Começando pelo lado religioso, há uma infinidade de pastores, padres e simpatizantes de algum tipo de religião que terminam ou iniciam suas falas, na maioria das vezes com o tempo bem curto, com frases do tipo “sou cristão”, “glória a Deus”, “com o fogo do Espírito Santo” e tantas outras fórmulas de invocações do transcendente.
Mas o que seria de fato uma união entre fé e política? Seria rezar para que Deus ajude seu povo? Seria esperar pela ajuda dos céus ou algo sobrenatural? Seria terminar de mencionar uma proposta no horário eleitoral e erguer as mãos para o céu?
O caso é que o contexto atual do Brasil faz com que as pessoas recorram cada vez mais a fé em Deus, santos, santas, pastores, enfim, todos estão à espera de um milagre! Mas isso não pode ser esperado de promessas baseadas em louvores ou bênçãos. Há quem diga ainda que fé não se mistura com política, o que é uma visão equivocada do ponto de vista de uma teologia mais engajada socialmente. Para o teólogo Leonardo Boff, A fé não é um "ato" ao lado de outros. Mas é uma "atitude" que engloba todos os atos, toda a pessoa, o sentimento, a inteligência, a vontade e as opções de vida. Neste sentido, a fé engloba também a política com P maiúsculo (política social) e com p minúsculo (política partidária). A fé não fica apenas como experiência pessoal de encontro com Deus. Ela se traduz concretamente na vida.
A fé, na verdade, deve motivar as pessoas a darem prioridade a propostas que envolvam não apenas a invocação do sobrenatural, mas principalmente que priorizem o social. De fato, esperar que Deus dê um jeito no país é ficar de braços cruzados e permitir que, cada vez mais, a política se torne um palco.
Sendo um palco, é possível constatar nas propagandas eleitorais uma verdadeira invasão de atores, atrizes, comediantes e afins. Muitos sequer sabem que funções serão exercidas no cargo público pretendido. O mais preocupante é que esses cadidatos e candidatas são os que mais possuem votos! O que leva as pessoas a essa preferência?
Ao que parece, não é ignorância do povo como muitos pensam. É sabedoria! É protesto que deve alertar a todos! Por trás desse protesto disfarçado, está a indignação e  a desilusão do povo brasileiro. Tantos anos sendo massacrado, por políticos que usaram de má fé, suscitaram essa reação nas pessoas: um protesto desesperado, um recado para os candidatos.
Ainda conforme o cientista político Rubens Figueiredo, "No Brasil o partido é muito fraco. O partido não está preocupado com a imagem, está preocupado em eleger deputados" e nessa corrida para ocupar as cadeiras das Câmaras e do Senado, vale tudo. Até mesmo apelar para o humor e deixar de lado a seriedade que necessita a situação do povo brasileiro.
Além disso, é preciso olhar bem, não só para as piadas explícitas e o show dos candidatos exóticos, mas também para os incríveis malabarismos que muitos outros candidatos, eleitos há muito tempo, fazem às vesperas das eleições para construir e promover aquilo que já deveria estar pronto desde quando o povo já necessitava.
Enfim, nada contra os santos e muito menos contra os palhaços. Ambos amenizam as dores do povo. No entanto, entre os santos e palhaços da política, que prevaleça a necessidade das pessoas, que o protesto seja ouvido e entendido e que providências sejam tomadas.

Lucas Rinaldini
Estudante de História e Professor de Ensino Religioso

Um comentário:

Diuân Feltrin disse...

Belo e sábio texto Lucas!

A meu ver, a política o povo está farto de tantas iniquidades decorrentes do período eleitoral. Tal fato ocasiona ascensão destes "palhaços políticos" que cativam pela simpatia.

Quantos ao religiosos, existem uma forma melhor de persuadir o povo do que usar o nome do criador do universo? Pois é... É muito válido apropriar-se da fragilidade e inocência do povo...

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