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Birigüi, São Paulo, Brazil
Tenho 30 anos, sou graduado em Letras pela Faculdade de Ciências e Tecnologia de Birigui (FATEB),graduado em História pela Universidade Toledo de Araçatuba e pós-graduado em Assessoria Bíblica pela Escola Superior de Teologia de São Leopoldo, Rio Grande do Sul (EST)em parceria com o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI). Atualmente professor da educação básica de escolas estaduais de SP e cursando o pós-graduação em História Cultural pelo Centro Universitário Claretiano.

terça-feira, 20 de março de 2012

PARÁBOLA DO HOMEM IMPRUDENTE

Certa vez, havia um jovem que morava com sua avó, uma senhora muito pobre e doente. Apesar de magricelo, todos os dias ele ia para a roça trabalhar. Saía bem cedo e voltava quase à noite. O caminho era distante e o jovem o percorria a semana toda a pé.


No caminho para o trabalho, ele passava por uma rua de um bairro muito rico, com casas muito bonitas. Uma destas casas pertencia ao homem mais rico do bairro e esse homem possuía um animal de estimação: um jaguar feroz.

O animal era grande e ficava preso a uma corda muito fina. Toda vez que o jovem passava, o jaguar avançava muito bravo, no entanto, o jovem não tinha muitas opções para mudar de caminho, pois aquele era o caminho mais próximo para sua morada, caso contrário, chegaria muito mais tarde e ele precisava ajudar sua avó com o jantar e sentar-se à mesa com ela para partilhar o pão amanhecido. O máximo que podia fazer era atravessar a rua para não passar tão próximo da fera.

Um dia, o jovem voltava muito cansado do trabalho e, passando pela rua onde morava o rico com seu jaguar, escutou um rugido muito alto. Era a fera que havia escapado e estava a poucos metros dele. O rapaz tentou correr desesperadamente, mas o jaguar foi muito mais veloz e ágil e o capturou. Mesmo o rapaz se defendendo, não pôde suportar o ataque do animal que, em poucos minutos, já estava com coração do jovem entre as presas.

Ao ver aquilo, o dono do jaguar pegou o animal e levou para dentro de sua casa e o limpou, entretanto, havia testemunhas que, de longe, puderam ver o ataque.

Foram imediatamente avisar a avó do rapaz. Esta ficou muito triste e se desmanchou em lágrimas, pois era o único filho de sua filha, a qual havia morrido há um ano atrás.

Passados alguns dias, o dono do jaguar e a avó do rapaz assassinado foram prestar contas ao juiz - O que a senhora tem a dizer? - perguntou o juiz. A avó do rapaz respondeu: Era meu único neto, não sei mais o que fazer. Estou desamparada e meu coração é cheio de tristeza, pois perdi um filho! - e continuava chorando e batendo no peito: - Eu me derramo como água e meus ossos todos se desconjuntam; meu coração está como cera, derretendo-se dentro de mim.

O juiz ficou incomodado com aquilo e mandou que a mulher se calasse. Depois, pediu ao homem rico: O senhor pode me dizer o que aconteceu? - eis que o homem respondeu: Meritíssimo, eu lamento muito o sofrimento desta mulher, mas a culpa não é minha e muito menos do meu jaguar, pois é um animal e não tem juízo. Sempre o deixei amarrado e dentro de casa. Certamente, o rapaz deve tê-lo provocado e até mesmo tentado entrar em minha casa, pois sempre passava pelo bairro espreitando as casas. Se ele não tivesse passado ali, nada disso teria acontecido. Aliás, meu animal poderia ter machucado os dentes, pois o rapaz era puro ossos.

Vendo a argumentação do homem rico, o juiz encerrou o caso alegando não haver motivos para condenar o animal nem seu dono e que, na verdade, o animal estava apenas protegendo seu território.

O homem rico ficou muito satisfeito com a justiça que o juiz lhe havia feito e voltou para casa onde comemorou com os seus a sua inocência.

A senhora voltou para sua casa pobre onde terminou seus dias sob uma terrível angústia.

Em verdade eu vos digo: Ai daquele que usa da lei dos homens para se manter acima de seus semelhantes. Deus é soberanamente justo e bom. Assim como Jesus foi injustiçado e assassinado pelos homens e Deus o ressuscitou, também a senhora idosa será ouvida e consolada e a justiça prevalecerá! Quem souber enxergar por trás destas palavras, que veja!

TEXTO DE FREI BENTO DOMINGUES

[NSI-PT 842] PALAVRA DE DEUS E PALAVRA DA RUA, À PROCURA DA PALAVRA & El teólogo Juan José Tamayo "apartado" de la Iglesia católica


P / INFO: Crónicas e El teólogo Juan José Tamayo "apartado" de la Iglesia católica
Palavra de Deus e palavra da rua, do Frei Bento Domingues
A noite de Nicodemos, do Padre Vítor Gonçalves

PALAVRA DE DEUS E PALAVRA DA RUA

Frei Bento Domingues, O.P.

1. Quando se diz que a Bíblia é palavra de Deus, ninguém, no seu perfeito juízo, pode supor que aquela escrita, na sua grande diversidade de géneros literários, seja de pura cepa divina. É escrita humana, com gramática de línguas identificáveis. A significação divina, que lhes é reconhecida pela fé, não supõe nem implica um ditado sobrenatural. As Sagradas Escrituras nasceram em tradições religiosas, marcadas por várias culturas, transmitindo sempre, no entanto, a convicção de que era Deus que falava - “de muitos modos” - nos tecidos da multiplicidade das suas expressões. É na sinuosidade e nas contradições dos caminhos do tempo que se dá o encontro com a eterna e discreta presença divina.



Dir-se-á que nem sempre foi essa a posição oficial da Igreja e que as leituras fundamentalistas tiveram consequências trágicas para a sua imagem oficial, perante as descobertas científicas. É verdade, mas espero que seja um capítulo encerrado. Num célebre documento da Comissão Pontifícia Bíblica, A interpretação da Bíblia na Igreja (1993) são reconhecidas, de modo criterioso, várias abordagens oriundas das ciências humanas. A grande viragem, porta de todas as outras, ficou consagrada com toda a solenidade: «O método histórico-crítico é o método indispensável para o estudo científico do sentido dos textos antigos. Como a Sagrada Escritura enquanto “Palavra de Deus em linguagem humana”, foi composta por autores humanos em todas as suas partes e todas as suas fontes, a sua justa compreensão não só admite como legítimo, mas pede a utilização deste m� �todo».



Neste sentido, o tema da 3ª Semana Bíblica, promovida pela paróquia de Barcelos, Palavra e Rua, sugere um vasto leque de percursos a fazer por vários mundos do passado, em confronto com as transformações sociais, culturais e espirituais da actualidade. A Sagrada Escritura cresce com as leituras interpelantes e interpeladas de cada época e de cada contexto, sem artificialismos ou anacronismos, casando os métodos das ciências humanas com as aberturas ao Espirito de Deus. Espírito actuante em tudo o que é criação de sentido, de beleza e de responsabilidade ética, com a pergunta antiga e sempre nova: “que fizeste do teu irmão”? (Gen.4). Pergunta que os cristãos têm de levar para a “rua”, diante deste louco liberalismo económico, indiferente à miséria das suas vítimas.



2. A situação de S. Paulo, em Atenas (Act.17,16-34), pode ser apresentada como um caso exemplar, de desencontro e encontro cultural, entre o seu mundo religioso e aquele perante o qual teve de dar testemunho da sua fé em Jesus e na Ressurreição. Como bom judeu, estava horrorizado com aquele espectáculo cheio de ídolos, mas não reagiu com anátemas, como lhe apetecia. Pelo contrário, foi descobrir os anseios daquele mundo, como se ele estivesse à espera de uma palavra nova que interpretasse os seus enigmas. Encontrou um altar ao “Deus desconhecido” e expressões de alguns poetas e filósofos que lhe mostravam que havia a possibilidade de ser escutado ou rejeitado.



Seja qual for a cultura, o Evangelho tanto pode ser um calmante, como um excitante. É sempre uma provocação. Por causa do que Jesus fez a quem era vítima de doenças físicas ou psíquicas, de opressão religiosa ou económica, de exclusão social e moral, os Evangelhos dizem dele o que não se dizia de mais ninguém: Vinde a mim vós todos os que andais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Por outro lado, manifestou uma vontade indomável de violar preceitos e instituições que, em nome de Deus, tornavam a vida das mulheres, dos doentes, dos qualificados como pecadores, um fardo insuportável. Escolheu a rua e as más companhias para significar e dizer a palavra de Deus, a palavra do Amor infinito. Lamentou que os seus contemporâneos não se apercebessem dos sinais do tempo novo que estava a chegar. (Lc. 12, 54-56)



3. No Vaticano II renasceu o tema da interpretação dos “sinais dos tempos”. Esta expressão pode sugerir a ideia de que os cristãos estão fora do tempo e olham de fora para os seus sinais. Seria esquecer a presença – reconhecida ou negada - de Deus, em tudo. Segundo o Ambrosiaster tudo o que é verdadeiro, venha de onde vier, é do Espírito Santo que vem. Os cristãos têm de testemunhar da presença de Cristo na nossa história – estarei convosco até ao fim dos tempos – mas não o podem fazer apenas a partir da revelação bíblica, do magistério eclesiástico e das incarnações da santidade nos séculos passados. É hoje o nosso tempo e é nos seus problemas, acontecimentos e interpretações que se pode escutar a voz de Deus na voz da rua e nunca de forma directa.



Será sempre tensa a relação entre estudos bíblicos e meditação, atenção às expressões da cultura contemporânea e à intervenção na sociedade, isto é, entre acção e contemplação. Por vezes, interpreta-se esta tensão em termos de mútua exclusão: se damos muito a Deus, roubamos à sociedade, se damos muito à sociedade, roubamos a Deus. Tensão não é rivalidade, mas atenção aos dois polos da vida humana e cristã, da rua e do silêncio.



O que não está correcto é pensar que Deus só habita certos tempos e certos lugares.



in Público



NOTA: O Público não respeitou o itálico das citações bíblicas que estavam no original do texto do Frei Bento

Fonte: Divulgação por e-mail.
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